Embora o dia tenha tido bons desfiles – destaque para o 2nd Floor e Huis Clos – o assunto principal das conversas e das atenções foi a posse de Barack Obama e a roupa da mulher, Michelle, e das meninas, Sacha e Malia. Pelos corredores da Bienal a pergunta era: será que eles vão dar importância para a moda? Será que a indústria da moda vai se beneficiar da presença na mídia do casal, especialmente Michelle?
Minha sensação é que sim. Por razões muito simples: eles são jovens, informados, modernos; sabem perfeitamente da importância que a imagem tem na comunicação. Sabem que tudo o que vestirem será lido e decodificado e não vão perder a oportunidade de usar essa visibilidade para mandar mensagens importantes para o país e o mundo. Mensagens de contenção, de equilíbrio, de valores.
Pelo que deu para perceber, Michelle vai escolher para suas aparições roupas de designers americanos, porém aqueles que tenham alguma ascendência estrangeira como Narciso Rodrigues que é um americano de origem cubana; Thakoon Panichgul, estilista tailandês que cresceu nos Estados Unidos e Isabel Toledo, a designer do vestido de hoje, o amarelinho da posse, que é meio americana, meio cubana. Tenho cá para mim que Michelle vai usar muita roupa comum, sem assinatura, comprada em lojas populares para mostrar que moda é um assunto sério, mas que não é uma demonstração de poder econômico nem motivo para esnobismos.
Essa atitude independente diante da moda vai combinar com o discurso que Obama proferiu sua posse onde falava de tempos de muito trabalho, reconstrução, responsabilidade e crise.
A indústria da moda vai também ter que se reestruturar sobre estas mesmas premissas para passar pelos tempos bicudos que estão pela frente. O mundo todo está de olho nestes novos ocupantes da Casa Branca - com esperança e boa vontade. Que sejam benvindos.

Beijos,
By Rüvieri
