quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

SP FASHION WEEK ANIMALE quar 21


O inverno 09 - nervuras, nervuras, nervuras. A Animale apostou forte no recurso dos vivos gordos que desenham traços sinuosos nas roupas e, de quebra (mas de propósito), estruturam do tecido fino ao couro. A imagem é agressiva, robótica, dura, sexy - tudo junto e até demais.

Além do exagero na formação dessa imagem, seus tecidos e materiais são obsessivamente trabalhados e esses dois fatores, além de incomodar, tiram a atenção do que realmente importa neste trabalho: a tentativa de falar do novo, deixar de revisitar as mil e uma décadas da moda e experimentar tecidos tecnológicos (alguns mudam de cor com o calor do corpo, outros refletem a luz tal e qual o colete do guardinha de trânsito - a foto 2, por exemplo é feita desse material; ao vivo, acredite, ele é cor-de-pele transparente!).

A coleção, que é futurista-sinuosa, tem na cartela um contraponto. Cor-de-pele, rosa, lilás, roxo e azul tomam ares românticos e frágeis perto das formas arrojadas e afastadas do corpo. O afastado do corpo se consegue de modo curioso. Ela não se limita a fazer ombreiras, mas tenta levantar o pano na altura das omoplatas, do antebraço, do punho, buscando novas possibilidades para exercitar a modelagem de jaquetas, principalmente. No geral, as produções obedecem à formula calça de gancho baixo + top leve, todo trabalhado na moulage.

Os tricôs são uma junção de linhas disformes, irregulares - parece até que a máquina quebrou no meio do processo. De gramatura fina, oferecem um modo bem mais arejado de usar essa trama que tem sido feita da mesma forma há tanto tempo. A Animale pode não enxergar o futuro desde já, mas está olhando para frente.